Patricia Duarte de Oliveira Paiva é professora de Floricultura e Paisagismo do Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA)

O ipê está presente em ruas, parques, estradas, nas áreas urbana e rural do país. Há nas redes sociais diversas fotos de pessoas encantadas durante o período da florada, geralmente, entre junho e setembro.

A espécie nativa do país ocorre em toda a região Sudeste. Há algumas plantas encontradas no bioma Amazônia e outras existem em uma região da parte Sul.

A árvore também batiza o enduro de regularidade Ipês Off Road, que terá a 20ª edição nos próximos 7 e 8 de novembro, com todas as regras de segurança sanitária, em Lavras (MG).

Não é à toa que a cidade do sul de Minas sedia a competição. Ela é conhecida como a “Cidade dos ipês e das Escolas” desde a publicação do texto de Jorge Duarte, em 1941.

“O que ele relata é que os ipês passam o ano inteiro revestido de folhas e a gente não dá muito valor, só realmente chama a atenção quando floresce. Os alunos e os professores passam o ano inteiro na escola e a gente realmente só vai dar aquele grande valor quando ocorre a formatura, no final do ano”, comentou a professora de Floricultura e Paisagismo do Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Patricia Duarte de Oliveira Paiva.

Um nome, várias espécies

Os ipês são árvores nativas brasileiras, com várias espécies diferentes divididas conforme as cores das flores: ipê roxo, que é o primeiro a florescer entre junho a julho; depois vêm os ipês amarelo e rosa. Por fim, o ipê branco, termina a floração dele em setembro até comecinho de outubro.

Neste período, a árvore perde todas as folhas e ficam apenas os cachos com as flores. Os períodos podem variar conforme a condição climática, segundo a professora da UFLA.

“Quanto mais tempo durar e mais intensa for seca, a floração pode variar, além de ficar mais abundante, bonita e mais atrativa. Às vezes, há coincidência, nesse ano, por exemplo, tivemos coincidência do amarelo com o rosa. Algumas árvores do branco floresceram mais precocemente e coincidiram com os outros”, destacou.

O roxo é o mais alto e o branco, o mais baixo. Os outros têm altura intermediária. No texto de Jorge Duarte é mencionada a florada em agosto. Conforme a professora, o autor relacionou as escolas ao ipê amarelo.

“Creio que, pela intensidade da cor, chama a atenção. Isso enche os olhos. Tanto que, temos o pau-brasil como a árvore símbolo, mas a flor símbolo do Brasil é a do ipê amarelo”, disse Patricia Duarte de Oliveira Paiva.

Resistente

Avenida na UFLA com ipês rosa

De acordo com o Instituto Brasileiro de Florestas (IBF, a palavra “ipê” vem da língua indígena tupi e significa casca dura. A madeira da árvore é muito densa e forte; pesada e dura; difícil de serrar; tem grande durabilidade mesmo em condições desfavoráveis e alta resistência aos parasitas e à umidade.

“No passado, até a década de 1980 e 1990, era usado na marcenaria, para a produção de móveis e de assoalhos, por ser uma madeira bastante resistente e bonita. Como espécie nativa, a exploração hoje não é mais permitida”, afirmou a professora de Floricultura e Paisagismo, Departamento de Agricultura da UFLA.

As características também contribuíram para eles se tornarem tão comuns na vida do brasileiro e, como as demais árvores, exercer um papel além da beleza da florada.

“[A espécie é] perfeitamente adaptada ao meio urbano! O que precisa cuidar é da localização de plantio, que não pode gerar conflito com a rede elétrica. E no geral, as árvores atuam na fotossíntese, ciclagem de nutrientes por meio de folhas, a filtragem do ar e contribuem para o meio ambiente”, ressaltou Patricia Duarte de Oliveira Paiva.

Texto: Misto Quente Comunicação

Coordenação: Lúcio Pinto Ribeiro